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Baixo índice de tratamento de esgoto é empecilho para o desenvolvimento

Em audiência pública no último mês, o baixo índice de tratamento de esgoto foi apontado como um dos grandes empecilhos para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O diretor da Área de Gestão da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Lopes Varella Neto, traçou um panorama da realidade hídrica brasileira com dados de estudos realizados pela agência reguladora. Ele informou que o Brasil é o país com mais água doce disponível em todo o planeta.

Abastecimento

Varella Neto disse que o Brasil conta com 13% de todo a água doce do mundo, porém a distribuição dessa água ainda é muito desigual. Ele informou que 80% da água no país estão concentrados na Amazônia, que tem apenas 5% da população do país. Enquanto isso, na Região Hidrográfica do Atlântico Leste, que abrange grande parte dos municípios de Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, estão apenas 0,4% das águas do país para atender 8% da população nacional. O diretor da ANA disse que 6% da água no Brasil é considerada de ótima qualidade, 76% de boa qualidade, 11% regular, 6% ruim e 1% de péssima qualidade.

Demanda e consumo

Ainda de acordo com o diretor da ANA, houve aumento de 29% no total de água retirada dos rios para consumo humano ou comercial entre 2006 e 2010. Ele afirmou que o aumento se deve principalmente ao crescimento da irrigação na agricultura. Atualmente, disse o diretor, a área irrigada no Brasil é de 5,8 milhões de hectares, mas com potencial para chegar a 30 milhões de hectares nas próximas décadas. O setor industrial também é um dos maiores consumidores de água em todo o mundo e não seria diferente no Brasil. As maiores consumidoras são as indústrias de celulose e metalurgia básica. Mas a maior demandante é mesmo a agricultura, acrescentou Varella Neto, para quem o constante aumento da área irrigada é “um grande desafio para a gestão de recursos hídricos no país”.

Saneamento

O diretor da ANA citou dados do Censo Demográfico do IBGE de 2010 que mostraram 90,88% da população brasileira atendida por rede de abastecimento de água, mas apenas 61,76% dos brasileiros atendidos por rede coletora de esgoto. Comparado com o censo de 2000, houve aumento de cerca de 8% da cobertura de rede. Entre 2000 e 2008, o percentual de esgoto tratado em relação ao coletado aumentou 10%. Todavia, ainda há acentuadas diferenças entre as regiões, com índices de tratamento de 78,4% em São Paulo e de 1,4% no Maranhão, destacou.

Poluição

Um dos principais problemas da água no Brasil é a poluição, segundo o diretor. Ele informou que são lançadas 5,5 mil toneladas de carga orgânica diariamente as águas no país. As áreas críticas são as regiões metropolitanas. De acordo com Varella Neto, são necessários investimentos de mais de R$ 22 bilhões para solucionar problemas de fornecimento de água em 55% dos municípios brasileiros até 2025. Outros R$ 48 bilhões de investimento serão precisos para a proteção sanitária dos mananciais de água em todo o país, para que essa fontes naturais sejam preservadas.

Qualidade e quantidade

O presidente do Instituto Internacional de Ecologia de São Carlos, José Galizia Tundisi, afirmou que o Brasil ainda precisa entender que o fornecimento de água de qualidade e a universalização do saneamento básico são imprescindíveis para que o país alcance o patamar de país desenvolvido. Segundo pesquisas, disse o especialista, os países mais desenvolvidos e que apresentam os maiores PIBs são justamente aqueles com mecanismos e sistemas mais eficazes de acesso à água, em quantidade e de qualidade. O especialista sugeriu que as autoridades promovam grandes e duradouras campanhas de educação e conscientização em massa da população sobre saneamento básico, o que pode evitar muitos problemas de saúde pública.

Além disso, Tundisi sugeriu mais investimentos na preservação dos mananciais em áreas rurais, remuneração por serviços ambientais voltada para o agricultor que proteja esses mananciais e capacitação de mão de obra especializada em saneamento.

Adaptado via Agência Senado

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